Doenças Secundárias à NMO: o que é preciso saber e ter atenção?
Viver com a Doença do Espectro da Neuromielite Óptica (NMOSD) exige um olhar atento não apenas para os surtos típicos da doença, mas também para a saúde global do organismo. No episódio 9 do podcast Conexões Verdes, a ABNMO recebeu o neurologista Dr. Jefferson Becker para discutir um tema fundamental: as doenças secundárias à NMO.
O que são doenças secundárias à NMO?
A Neuromielite Óptica é uma doença autoimune, o que significa que o sistema imunológico ataca o próprio corpo. No entanto, quem já tem um diagnóstico de NMO possui uma predisposição a desenvolver outras condições da mesma natureza.
Quando um paciente apresenta NMO em conjunto com outra patologia autoimune (como Lúpus ou Síndrome de Sjögren), chamamos isso de sobreposição ou doenças secundárias.
As doenças secundárias mais associadas à NMO
Durante a conversa, o Dr. Jefferson Becker destacou que é comum encontrar pacientes com NMO que também apresentam marcadores ou sintomas de:
-
Lúpus Eritematoso Sistémico (LES): Pode afetar articulações, pele e rins.
-
Síndrome de Sjögren: Caracterizada principalmente pela secura nos olhos e na boca.
-
Tireoidite de Hashimoto: Afeta o funcionamento da tiroide.
-
Miastenia Gravis: Provoca fraqueza muscular.
Por que isto acontece?
A presença do anticorpo Anti-AQP4 indica uma desregulação do sistema imunológico. Muitas vezes, o corpo não produz apenas um tipo de “autoanticorpo”, assim levando ao surgimento dessas outras condições ao longo do tempo.
O diagnóstico das doenças secundárias à NMO
Um dos pontos altos do episódio foi a explicação sobre como os sintomas podem se confundir. Nem toda dor ou fadiga num paciente com NMO é um novo surto da doença neurológica; pode ser uma manifestação de uma doença secundária.
Reforça-se a importância de realizar:
-
Exames de rastreio: testes laboratoriais periódicos para detectar outros anticorpos.
-
Acompanhamento multidisciplinar: o neurologista deve trabalhar em conjunto com o reumatologista e o endocrinologista para um cuidado integral.
É possível ter tratamento conjugado?
A boa notícia partilhada no podcast é que muitos dos tratamentos imunossupressores utilizados para controlar a NMO também são eficazes para tratar as doenças secundárias. No entanto, o ajuste da medicação deve ser feito com cautela para garantir que ambas as condições permaneçam em remissão, minimizando os efeitos colaterais.
Tenha atenção aos sinais!
O episódio com o Dr. Jefferson Becker deixa claro que o autoconhecimento é uma das melhores ferramentas do paciente. Então relate ao seu médico qualquer sintoma novo, mesmo que pareça não estar ligado à NMO.
Ouça o episódio 9 do Conexões Verdes:
Quer aprofundar o seu conhecimento sobre este tema? Ouça à entrevista completa no canal oficial da ABNMO no YouTube ou no Spotify, buscando por Conexões Verdes.