MOGAD e as Doenças Neuroimunológicas: conheça a “nova” doença que sempre esteve entre nós
No 12º episódio do podcast Conexões Verdes, a ABNMO recebeu o renomado neurologista Dr. Douglas Sato, do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, para desvendar os mistérios do MOGAD (Doença Associada ao Anticorpo MOG). O tema é essencial para pacientes e familiares que buscam entender onde MOGAD se encaixa nas doenças neuroimunológicas.
Doença “nova” com história antiga
Embora o MOGAD seja frequentemente tratado como uma descoberta recente, o Dr. Douglas Sato esclarece que os pacientes sempre existiram, mas eram muitas vezes diagnosticados incorretamente.
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Evolução do diagnóstico
O anticorpo anti-mog foi descrito pela primeira vez há cerca de 30 anos como um possível marcador de esclerose múltipla, mas os estudos iniciais não se confirmaram devido a técnicas de laboratório limitadas.
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A ciência
A virada de chave ocorreu com o desenvolvimento dos Ensaios Baseados em Células (CBA). Diferente dos testes antigos, essa técnica identifica o anticorpo em sua forma tridimensional, simulando como ele atua no corpo humano. Isso permitiu entender o MOGAD como uma doença distinta da Neuromielite Óptica (NMO) e da Esclerose Múltipla (EM).
MOGAD vs. NMO: quais as diferentes e semelhanças?
Muitos pacientes com MOGAD foram historicamente tratados sob o “guarda-chuva” da NMO por serem soronegativos para a antiaquaporina-4. No entanto, o Dr. Sato aponta distinções clínicas importantes:
- Conheça os sintomas comuns
Ambas as doenças podem causar neurite óptica (inflamação do nervo óptico) e mielite (inflamação da medula), resultando em perda visual, formigamentos e perda de força.
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Diferenciais na medula
Enquanto na NMO a mielite tende a ser extremamente grave (causando paralisia e dores intensas), na MOGAD a perda de força costuma ser menos severa, embora a alteração na bexiga seja um sintoma muito proeminente e frequente.
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As manifestações cerebrais
O MOGAD apresenta quadros que raramente vemos na NMO ou EM, como a encefalite cortical, que pode provocar crises epiléticas. Além disso, em crianças, é comum a apresentação como ADEM (Encefalomielite Disseminada Aguda).
MOGAD atinge quais pessoas?
Diferente da NMO, em que a proporção pode chegar a 9 mulheres para cada 1 homem, no MOGAD essa diferença é muito menor (em torno de 2 mulheres para cada 1 homem).
Crianças e adolescentes: A incidência é significativamente alta em crianças, especialmente na fase pré-puberdade, quando a doença afeta meninos e meninas em proporções iguais.
Por fim, o Dr. Douglas enfatiza que entender o mecanismo específico da doença, “a pecinha que está com defeito”, é fundamental para o tratamento. Até porque um medicamento que funciona para NMO pode não ser o ideal para MOGAD.
O avanço da ciência está reduzindo o grupo de pacientes “soronegativos” (sem anticorpo identificado), permitindo tratamentos cada vez mais assertivos e seguros.
Para ouvir o episódio completo e conferir todos os detalhes dessa conversa enriquecedora, ouça pelo Spotify ou pelo YouTube da ABNMO (e inscreva-se no canal!).