A saúde psicoemocional na NMO desafia pacientes e familiares para além do diagnóstico
O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Branco, que nos convida a refletir sobre a importância da saúde mental. Para quem convive com doenças raras, como a Neuromielite Óptica (NMO), esse tema ganha camadas ainda mais profundas e urgentes.
No mais recente episódio do podcast Conexões Verdes, a presidente da ABNMO, Cleide Lima, conversou com o psicólogo e psicoterapeuta Wed Santos, que integra a equipe multiprofissional da associação desde o seu início. O bate-papo trouxe reflexões fundamentais sobre como dessensibilizar o sistema nervoso e reencontrar a própria essência após um diagnóstico desafiador como o da NMO.
Qual é a relação da saúde psicoemocional na NMO com o equilíbrio e autocuidado?
Muitas vezes, existe um preconceito ou dúvida sobre qual profissional buscar – psicólogo, psiquiatra ou terapias integrativas. Tendo isso em vista, o psicólogo Wed Santos ressalta que o equilíbrio é o caminho. Ou seja, a saúde mental não é algo estanque ou isolado, porque ela envolve o corpo, a alimentação, a espiritualidade e, em muitos casos, o suporte medicamentoso quando o sofrimento se torna insuportável.
Mas onde o autocuidado se encaixa nessa balança? Ele começa na “faísca” de perceber que se precisa de ajuda. Assim, reconhecer as próprias necessidades é a primeira resposta. “Eu preciso agora de um abraço? De silêncio? De conversar?”.
A saúde psicoemocional na NMO e o luto pelo “corpo anterior”
Um dos pontos mais sensíveis da conversa foi o processo de luto. Quando a NMO se manifesta, ocorre o luto por quem se era e pela imagem que se tinha de si mesmo para, só então, construir quem se pode ser agora.
- Identidade além da função
O sofrimento muitas vezes vem de não poder mais exercer as mesmas funções de antes. Então o desafio é entender que a sua essência (aquilo que você ama fazer e quem você é) permanece, mesmo que o corpo se transforme.
- Acolhimento da tristeza: Na nossa sociedade, parece não haver espaço para o sofrimento, mas o psicólogo reforça: “Calma. Se você está vivendo isso, você tem o direito de estar triste. É um processo de elaboração”.
A potência do grupo terapêutico
A ABNMO mantém grupos de apoio emocional (online) que têm sido transformadores. Wed destaca que o fenômeno de grupo oferece algo único: o pertencimento. Ou seja, ver o outro enfrentar desafios semelhantes ajuda a criar estratégias e a ressignificar a própria jornada.
Além disso, Wed comenta sobre a necessidade de dessensibilizar o sistema nervoso. Após o trauma do diagnóstico e das internações, o corpo entra em um estado de hipervigilância constante. Aprender a descansar e a desligar esse estado de alerta é um passo fundamental para a saúde mental, especialmente para mulheres que, historicamente, cuidam de todos, menos de si mesmas.
Ouça o episódio completo!
Quer saber mais sobre como lidar com desafios psicoemocionais do diagnóstico e como encontrar sua potência interna? Não perca a conversa completa entre Cleide Lima e Wed Santos no Conexões Verdes.
Vamos juntos fortalecer nossa rede de apoio e cuidar do que temos de mais precioso: nosso equilíbrio emocional.