O Departamento Científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), em colaboração com neurologistas de diferentes regiões do país, publicou um consenso nacional de recomendações para o tratamento da Neuromielite Óptica (NMOSD). Este documento reúne evidências científicas recentes e avaliações especializadas.
Além disso, o guia traz orientações práticas para diagnóstico, tratamento agudo e prevenção de crises (adaptadas à realidade do sistema de saúde brasileiro). Saiba mais sobre a publicação:
Como o consenso para tratamento da NMOSD foi desenvolvido?
A partir de uma revisão científica estruturada, utilizando os seguintes aspectos:
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PICO (População, Intervenção, Comparação e Desfecho);
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GRADE, a fim de avaliar a qualidade das evidências;
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Metodologia Delphi, que permite chegar a acordos entre especialistas.
Um questionário inicial com 19 afirmações foi enviado a 44 especialistas brasileiros em neuroimunologia. Após três rodadas de votações e revisões, alcançou-se o consenso em 21 afirmações, que compõem o documento final.
O que o guia aborda
1. Manejo geral e diagnóstico
As recomendações reforçam a importância de um diagnóstico preciso e oportuno, destacando assim o papel do exame AQP4-IgG, essencial para confirmar a doença.
Em 2025, a CONITEC recomendou a incorporação desse exame ao SUS. Isso é um avanço significativo, embora ainda dependente de implementação plena em âmbito nacional.
2. Tratamento das crises agudas
As exacerbações da NMOSD têm alto risco de gerar sequelas permanentes. Por isso, o consenso enfatiza que o tratamento das crises deve ser iniciado de forma rápida e agressiva.
Além disso, o documento reconhece as desigualdades regionais no acesso ao tratamento, alertando para a necessidade de ampliar a estrutura de referência para manejo adequado das crises.
3. Estratégias preventivas (tratamento de manutenção)
Apesar de várias terapias já terem aprovação regulatória no Brasil, nenhum tratamento está incorporado ao SUS ou aos planos privados. Ou seja, ainda há falta de protocolos oficiais na saúde pública e diretrizes específicas na ANS.
4. Grupos especiais
Há orientações diferenciadas para crianças, gestantes e pessoas soronegativas para AQP4-IgG e MOG-IgG. O consenso delimita ainda seu escopo, já que não aborda MOGAD, hoje reconhecida como uma doença distinta.
Desafios brasileiros e desigualdades no cuidado
O texto destaca que os determinantes sociais da saúde afetam diretamente os desfechos da NMOSD no Brasil. Ou seja, as diferenças no acesso ao diagnóstico, às terapias de alto custo e aos centros especializados criam desigualdades que podem atrasar o início do tratamento e aumentar o risco de sequelas.
Reforça-se, portanto, a necessidade de:
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Garantir acesso precoce ao exame de AQP4-IgG em todo o país;
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Estabelecer um protocolo nacional oficial de manejo da NMOSD;
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Ampliar o acesso a terapias imunológicas modernas;
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Reduzir disparidades entre SUS e setor privado.
Mas por que esse consenso de tratamento importa para pacientes e famílias?
Porque ele organiza o conhecimento disponível e oferece diretrizes claras para profissionais de saúde. Além disso, o guia possivelmente vai orientar políticas públicas e reforçar a urgência de ampliar o acesso ao cuidado especializado.
O documento também consolida a visão de que o objetivo central no manejo da NMOSD é reduzir a gravidade das crises e prevenir recidivas, evitando danos irreversíveis.
A ABNMO reforça seu compromisso com a comunidade
A publicação desse consenso representa um avanço significativo para profissionais, gestores e pacientes. Por isso, a ABNMO apoia a produção e divulgação do conhecimento científico sobre a NMO.
Assim, busca-se fortalecer o diálogo com autoridades de saúde e atuar para que essas recomendações se transformem em melhorias concretas no cuidado oferecido no Brasil. A neurologista Raquel Vassão explica, em vídeo, os principais pontos do consenso e sua relevância para profissionais de saúde e para toda a comunidade que convive com a NMOSD.
Confira:
O consenso brasileiro para o tratamento da Neuromielite Óptica está disponível para leitura aberta (em inglês). Clique aqui para acessá-lo!